My feelings, any feelings! |
Eu não escrevo pra agradar, não escrevo para mostrar, não ligo para o que o pensam sobre o que eu escrevo, mas eu escrevo. Não sei exatamente o porque. Talvez isso apenas me faça bem. Agnaldo Felix. |
Pensamentos vão e vem, enchendo minha cabeça, e deixo que aquele sol de inverno esquente meu rosto, enquanto procuro um lugar para me sentar em meio ao verde, que já toma conta desta praça, sombria e cheia de neblina, em um dia frio.
De lá, eu posso ver alguns cachorros, pobres animais, abandonados, a contar apenas com a sorte. Vejo também pessoas que aquela hora já estão acordadas, saindo em busca de emprego, sabendo que em casa, seus filhos estão esperando, ansiosos pela volta do pai, que se tiver sorte, levará para eles a primeira refeição do dia. Paro por um instante, e percebo que bem ao fundo daquele olhar, cheio de dor, ainda existe a esperança, que toma conta daquele pobre homem. É essa esperança que o move, é a esperança de ver os filhos sorrindo que o faz levantar cedo em um dia de inverno, e sair às ruas, disposto a fazer de tudo para satisfazer aquelas crianças, franzinas, fracas, que de presente, só querem um teto para morar.
Aquela imagem permaneceu na minha cabeça durante dias, aquilo mexeu comigo de forma absurda, a ponto de me tirar o sono. E eu reclamava de tudo, sem olhar para os lados, sem pensar.
Naquele momento, as minhas cicatrizes que costumavam jorrar sangue, não passavam de arranhões. Eu nunca me esquecerei disso.
Agnaldo Felix.